Qual é o caminho?
De um lado, estrelas, astrolábios, quadrantes, bússolas, sextantes, rádios, radares, satélites, inúmeros recursos e artefatos para nos indicar o caminho; de outro, uma humanidade mais perdida do que sempre esteve. Oito bilhões de desorientados, caminhando em direção ao que julgamos ser nosso destino comum.
“Nosso” quem, cara pálida? Como usar a primeira pessoa do plural em um mundo cada vez mais desunido? As boas intenções entulhando as dependências do inferno. Os discursos salvadores cada vez mais esvaziados de sentido, mercê da repetição. Tudo esvaziado de sentido, mercê da repetição.
Somos a geração que, ao ser enterrada, deverá enterrar com ela também o planeta. Daí o medo crescente. A constatação diária de que os espaços de liberdade se parecem cada vez mais com seu contrário. Nós, que já somos prisioneiros de leis, normas e rotinas. Nós, que já somos presas fáceis dos celerados de plantão.
Colombo teria feito melhor se houvesse apenas colocado o ovo em pé, em vez de se meter nessa encrenca de descobrir a América. Onde encontrar agora os Américos Vespúcios que nos apontem a saída? Deus está vendo, pode se iludir alguém. Risos. Como atribuir visão a alguém de dúbia realidade? A uma criação do homem que – uma vez no cargo – deveria ter guiado seu rebanho em vez de transferir a tarefa para as estrelas, o astrolábio, a bússola, o radar, o GPS.
Se por um longo tempo ignorávamos como chegar, hoje – pior ainda – não sabemos para onde ir. Continuamos avançando, entretanto, na ilusão de que estejamos fazendo juntos o que na verdade cada um o faz por si. Sem ninguém que o faça por todos – ou ainda há alguma dúvida de que Deus, se é que existe, há muito tempo pediu a conta?

